Luto Tropical, un proyecto de Paula Borghi

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LUTO TROPICAL
Segundo as ideias de Sigmund Freud presentes em Luto e Melancolia, o luto - de modo geral - é a reação a perda de um ente querido ou de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém e assim por diante. Embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, como uma tristeza profunda, confia-se que ele seja superado após certo lapso de tempo. Isso porque o ego do sujeito em luto não desaba, mesmo que o mundo ao seu redor desmorone. Ou seja, o luto pode ser multiplo conforme a constância das perdas, entretanto pode sempre ser superado.

Luto Tropical começou há cinco séculos atrás, ou mais especificamente no dia 12 de outubro de 1492, quando Colombo “descobriu” a América. Estudos apresentam a teoria de que o primeiro século e meio de “conquistas” correspondem ao extermínio de 95% dos povos originários. Preciso ou não, o porcentual dessas mortes é decorrente, sobretudo, das doenças oriundas do homem branco (como a varíola), das guerras e da escravização. Trata-se de um dos maiores genocídios da história mundial, da construção e do apagamento de nossa identidade, ou, em outras palavras do começo do fim do que somos hoje.

O começo do fim se deu inúmeras vezes ao longo da história da humanidade e mesmo assim seguimos vivos. Contudo, o que significa estar vivo uma vez que não morremos apenas quando nossos corações param de bater? Como nos lembra Laymert Garcia dos Santos no ensaio Viva a Morte!, morremos aos poucos e muitas vezes sem perceber. Morremos quando tomam nossa liberdade, apagam nossa história, roubam nossos direitos e silenciam nossos pensamentos. Mas, principalmente, morremos quando a indiferença ao sofrimento do outro não nos atinge e quando somos incapazes de reconhecer nossos privilégios. É por esta morte que estamos em luto, pois não podemos aceitar sermos mortos-vivos. E talvez seja o luto o sentimento e a ação mais pertinente para resistirmos a tantas mortes, pois é ele quem vai, uma vez mais, fazer do fim um novo começo.

E se hoje nos encontramos na eminencia de mais um episódio de violência generalizado contra os povos originários, as minorias, a massa trabalhadora, os recursos naturais e a cultura, o luto é a força que vem se anunciando em resposta a essas múltiplas agressões. Neste sentido, Luto Tropical é a vontade de fazer com que essa força se reverbere e supere tais perdas, uma exposição que apresenta um recorte curatorial de artistas brasileiros e argentinos contemporâneos cujas produções acontecem através da poética como potência transformadora. Luto aqui é verbo.

Artistas
Ariel Cusnir, Estefanía Landesmann, Fernanda Grigolin, Loca, Mônica Ventura, Raquel Nava , Thelma Vilas Boas, Thiago Honório, - Traplev, Verena Smit, Zé Garcia

un proyecto de Paula Borghi



Inauguración jueves 14 de febrero de 2019 a las 19 hs en Pasto (Pereyra Lucena 2589 - CABA) @pastogaleria
Instagram pastogaleria

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