Viajes para construir
Con este texto me propongo lograr que vayan a ver la muestra Arte in Loco, hasta el 10 de agosto, en la Fundación Centro de Estudios Brasileros, Esmeralda 969, tal es mi ambición. Se trata de un proyecto de intercambio entre artistas contemporáneos de Argentina y Brasil, creado por Beatriz Lemos, Pablo Terra y Juliana Gontijo. El proyecto, totalmente independiente, trajo a dos artistas de Río de Janeiro, Joana Traub Csekö y Daniel Murgel, y un paulista, Yuri Firmeza, seleccionados por Lemos, para trabajar un mes y medio en Buenos Aires, conviviendo con Belén Romero Gunset (Tucumán), Federico Zukerfeld, y Loreto Garín (Buenos Aires). El proyecto se completará cuando Belén, Federico y Loreto viajen a Río para repetir la experiencia de los Brasileros en Buenos Aires.
En el trabajo de todos los artistas está muy presente el diálogo con la ciudad; desde la experiencia performática de Loreto en el Subte, y Belén en sus recorridas nocturnas en busca de basura reutilizada en la construcción de esculturas, hasta en las excursiones fotográficas sobre la arquitectura que realiza Joana, para luego superponer tiempos y espacios imposibles en un mismo encuadre. La experiencia de la ciudad desconocida se puede ver en la metáfora del ciego de Yuri y en el refugio que encontró Daniel en la cama del hostal en la que durmió en su estadía porteña. El trabajo de Federico más orientado hacia el cuestionamiento a los espacios institucionalizados, caricaturizando la ambición del artista por trascender a cualquier precio, también fue realizado a partir de un objeto encontrado en la calle.
Este proyecto se pudo realizar por la colaboración de las galerías de los artistas brasileros, el hostal y espacio de arte el Aleph, la solidaridad de colegas que realizaron una subasta en Río de Janeiro, y finalmente con recursos de los propios artistas, por lo cual la muestra cuenta con el auspicio de Apic! (Artistas Patrocinando Instituciones Culturales) Leyenda Copyleft creada en Brasil por María Lucia Cattani y Nick Rands, que relaciono con aquel “los artistas no percibieron honorarios” del último Estudio Abierto, un capítulo más, de una serie de experiencias que avanzan en la discusión de la remuneración del trabajo creativo, un problema compartido con nuestros vecinos.
También quiero mencionar el proyecto I love Latinoamérica creado por Lucila Gradín y Fernanda Vilella, cuyo primer peldaño fue una muestra realizada a fines de marzo pasado, en Buenos Aires en el espacio This is Not a Gallery, que reunía (junto a las convocantes) a Seth Wulsin (EEUU residente en Buenos Aires), Javier Abreu (Uruguay), Narda Alvarado (Bolivia), Guga Ferraz (Brasil), y Nicolás Grum (Chile)con las participaciones especiales de Elisa O`Farrel y María de San Martín (artistas locales).
En octubre realizarán una muestra en Uruguay, con la idea de continuar una gira latinoamericana por las ciudades de los participantes, quienes a su vez invitan a otros artistas locales.
Es justicia decir que estos proyectos surgen de encuentros entre artistas propiciados por trabajos como el que hizo la residencia de artistas el Basilisco, junto a algunas muestras puntuales, que dieron oportunidad de viajar a los artistas de aquí y allá, al calor de las ganas de los artistas, y algunos curadores de encontrarse, viajar, y vivir experiencias nuevas de trabajo, costeado muchas veces por cuenta propia o apoyado en la solidaridad de amigos y colegas.
Hay más en: http://inlocoproject.blogspot.com/
Anotaciones de viaje
Camine del Aleph al Parque Centenario, o del parque al Aleph, recogiendo basura, trate de descubrir el ritmo de la basura en la ciudad, calcular a qué hora pasan los recolectores independientes, quienes están asociados, que buscan, que encuentran, cual es su andar por la calle, etc., a qué hora pasa el basurero, que queda en las calles después. Encontré que la ciudad goza de una inconsciencia colectiva respecto a la relación consumo-desechos, también observe solo dos o tres casos aislados de separación de basura por parte de los vecinos, una señal más del desorden de la ciudad, la falta de consideración a los trabajadores del reciclaje (cartoneros), etc.
Belen Romero Gunset
Lavar as mãos inúmeras vezes com sabão desinfetante. Álcool Antibactericida para não deixar marcas. Para não ter perigo de contágio. Para não se contaminar.
A paranóia, a paranóia do toque. A paranóia do estranho. A paranóia dos lugares acumulativos, que sobrepõem camadas de corpos. Lavar as mãos. Ter cuidado ao tocar. Cuidado aonde toca. Em quem toca. Como toca. Lavar as mãos.
O perigo do outro. Da presença.
Vou à Escola de Cegos. A mão, os olhos dos cegos. A técnica de rastreio com a parte de fora dos dois dedos. Apalpar as coisas. O manuseio do bastão para cegos. Uma senhora cega compara o bastão com uma esgrima. Uma esgrima com a cidade. O toque. O olhar pelo toque. A Antiparanóia. O desejo do toque. A necessidade.
O perigo de si. Da ausência.
Eu ali, dentro de um Hostel que circulavam dezenas de pessoas, uma total mistura, uma meleca gostosa, um grupo de pessoas, conversas. Dividir banheiro, cozinha, papel higiênico, pasta de dente, sabonete, projetos. Colaborar com pensamentos, se melecar no outro, ser melecado. Impossibilidade de não se contagiar enquanto tateio a cidade. Encontros com outros artistas, contaminações. Vírus, se espraiar como eles. Virulenta vivência. Experiências compartidas. Assumir as mãos sujas e sujá-las no pó da cidade. Desnudar-se.
Afetos.
E uma mão me toca.
Um homem no meio da rua grita: Você está em Buenos Aires seu norte americano e complementa a frase com três tapinhas no meu rosto e um olhar fulminante.
Afagos. Um rasgo e uma esgrima.
“Ver não é onde, é como”.
Yuri Firmeza
Dia 08 de Julho de 2009. Dentro do avião de Buenos Aires para São Paulo.
*Ficcionar a cidade já que a desconheço.
*Conexões inusitadas, caminhos inventados. Portas, escadas, corredores, passagens, entradas ...algo vivente camina en círculo dentro de la cabeza. *
*A escolha de imagens achadas, um processo interessante: acaso, pescaria ...donde todo se confunde e nada es menos certo que su contrario. *
*Camadas, sobreposições, inserções. Descobrir as continuidades entre estas imagens ...con toda la noche que espera como un ojo. *
*No verso de postais antigos: “photographie veritable”
*Agora: “fotografia enigma”
uma fotografia não-descritiva, transmutada
uma fotografia q se apóia o mínimo necessário na técnica
para ser perscrutada, olhada de perto.
* J. Cortazar
*Qué se aprende en los cafés que no se aprende en otros lugares?
Una lección de vida que es saber valorar el tiempo y la posibilidad de perder tiempo; tener siempre tiempo para perder el tiempo. E. Galeano
*cafés de esquina e suas vitrines: o aquário de gente que passa...
lugares de passagem: permanência temporária
Joana Traub Csekö
El Aleph, meu condomínio. Chacabuco 447 timbre C. Minha casa, uma cama tipo beliche, entrando no condomínio primeira a direita, atravessa duas portas, vire a direita novamente e entre numa porta verde. Meu vizinho nesta quadra chegou uns dias depois de mim. Yuri. "Esse cara tem que ser gente boa, se não eu to na merda!" - pensei. Odeio vizinhos chatos. Mas o cara é muy buena onda e logo viramos parceiros na nossa pesquisa boêmia por SanTelmo. Uma infância com muita liberdade.
Não demorou muito e eu percebi que estava mudando de fase. A Bússola estava sintonizada, eu já podia caminhar nas ruas sem mapa, comprar minhas cervejas num portuñol genuíno...percebi que estava crescendo e que deveria trabalhar. Afinal havia uma exposição a fazer e muito o que inventar. Foi mais ou menos nesta fase que chegou Joana, para completar a vizinhança brasileira no condomínio.
Vamos abrir estas jaulas!!! - pensei
As ilhas só mudam de lugar!!! - pensei
Então comecei a ler Los Isleros e a desenhar minhas impressões de uma cidade com roupas francesas e sangue latino - catótica! E, como todo adulto com responsabilidades, eu queria meu momento de sossego, chegar em casa e tirar os sapatos... minha casa: minha cama.
Meu vizinho estava empenhado em confundir seu passado e virar, ele mesmo um espelho, pra poder brincar com as imagens. Ele queria conhecer Borges, mas este odiava espelhos.
Muitos amigos na cidade, que me ensinavam a beber vinho, comer empanadas, comer assados, fazer livros e rir en castellano.
Jantares...
Voos noturnos... uma certa noite fui para no alto de uma árvore com o meu vizinho yuri e o coelho amarelo de Tucuman.
O tempo foi passando...e tivemos que enfrentar algumas vezes o elefante branco, e carregar caixas de papelão molhadas cheias de formalidades e burocracias, e todo este desgaste gerou uma certa dor.. e então a paranóia, o stress, o mau humor.. percebi que era velhice.
Minha vida de 42 dias em Buenos Aires estava chegando ao fim. Para iniciar outras vidas e me manter neste ciclo até perder a paciência. Mas aquela estava chegando ao fim.
E como se tratava de uma morte anunciada, com bilhete e poltrona marcada, fizemos um jantar de despedida na casa dos Erroristas.
Vinho...
Morri dia 05 de julio às 10h da manhã, no mesmo lugar onde nasci 42 dias antes.
Deixei apenas meu tênis, minha casa e meus livros.
Daniel Murgel












